Reduz o imposto de importação para os
produtos que especifica e dá outras providências.
Faço saber que o Presidente da República
adotou a Medida Provisória nº 1.536-22, de 1997, que o Congresso Nacional aprovou, e eu,
Geraldo Melo, Primeiro Vice-Presidente do Senado Federal, no exercício da Presidência,
para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal,
promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até
31 de dezembro de 1999:

I - redução de noventa por cento do imposto de importação incidente sobre máquinas,
equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos
e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos
acessórios, sobressalentes e peças de reposição;

II - redução de até noventa por cento do imposto de importação incidente sobre
matérias-primas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e
semi-acabados, e pneumáticos; e

III - redução de até cinqüenta por cento do imposto de importação incidente sobre os
produtos relacionados nas alíneas "a" a "c" do § 1º deste artigo.
(* Art. 1º alterado pelo Art. 55 da Lei nº
9.532, de 10.12.97 - DOU 11.12.97, que reduz à metade os percentuais relacionados nos
incisos I, II e III.)
§ 1º O disposto nos incisos I e II
aplica-se exclusivamente às empresas montadoras e aos fabricantes de:

a) - veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de três rodas ou mais
e jipes;
b) - caminhonetas, furgões, "pick-ups" e veículos automotores, de quatro rodas
ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a
quatro toneladas;
c) - veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga
igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas
ou mais e caminhões-tratores;
d) - tratores agrícolas e colhedeiras;
e) - tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras;
f) - carroçarias para veículos automotores em geral;
g) - reboques e semi-reboques utilizados para o transporte de mercadorais; e
h) - partes, peças e componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi-acabados, e
pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores.

§ 2º O disposto no inciso III aplica-se exclusivamente às importações realizadas
diretamente pelas empresas montadoras e fabricantes nacionais dos produtos nele referidos,
ou indiretamente, por intermédio de empresa comercial exportadora, em nome de quem será
reconhecida a redução do imposto, nas condições fixadas em regulamento.

§ 3º A aplicação da redução a que se referem os incisos I e II não poderá resultar
em pagamento de imposto de importação inferior a dois por cento.

§ 4º A aplicação da redução a que se refere o inciso III deste artigo não poderá
resultar em pagamento de importo de importação inferior à Tarifa Externa Comum.

§ 5º Os produtos de que tratam os inciso I e II do caput deste artigo deverão
ser usados no processo produtivo da empresa e, adicionalmente, quanto ao inciso I, compor
o seu ativo permanente, vedada, em ambos os casos, a revenda, exceto nas condições
fixadas em regulamento.

§ 6º Não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo o disposto nos arts.
17 e 18 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966.

§ 7º Não se aplica aos produtos importados nos termos do inciso III o disposto no art.
11 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, ressalvadas as importações realizadas por empresas
comerciais exportadoras nas condições do § 2º deste artigo, quando a transferência de
propriedade não for feita à respectiva empresa montadora ou fabricante nacional.

§ 8º Não se aplica aos produtos importados nos termos dos incisos I, II e III o
disposto no Decreto-Lei nº 666, de 2 de julho de 1969.

Art. 2º O Poder Executivo poderá estabelecer a proporção entre:

I - o valor total FOB das importações de matérias-primas e dos produtos relacionados
nas alíneas "a" a "h" do § 1º do artigo anterior, procedentes e
originárias de países membros do MERCOSUL, adicionadas às realizadas nas condições
previstas nos incisos II e III do artigo anterior, e o valor total das exportações
líquidas realizadas, em período a ser determinado, por empresa;

II - o valor das aquisições dos produtos relacionados no inciso I do artigo anterior,
fabricados no País, e o valor total FOB das importações dos mesmos produtos realizadas
nas condições previstas do mesmo inciso, em período a ser determinado, por empresa;

III - o valor total das aquisições de cada matéria-prima, produzida no País, e o valor
total FOB das importações das mesmas matérias-primas, realizadas nas condições
previstas no inciso II do artigo anterior, em período a ser determinado, por empresa; e

IV - o valor total FOB das importações dos produtos relacionados no inciso II do artigo
anterior, realizadas nas condições previstas no mesmo inciso e o valor das exportações
líquidas realizadas, em período a ser determinado, por empresa.

§ 1º Com o objetivo de enviar concentração de importações que prejudique a
produção nacional, o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo poderá
estabelecer limites adicionais à importação dos produtos relacionados nos incisos I e
II do artigo anterior, nas condições estabelecidas nestes mesmos incisos.

§ 2º Entende-se, como exportações líquidas, o valor FOB das exportações dos
produtos relacionados no § 1º do artigo anterior, realizadas em moeda conversível,
deduzidos:

a) - o valor FOB das importações realizadas sob o regime de "drawback"; e
b) - o valor da comissão paga ou creditada a agente ou a representante no exterior.

§ 3º No cálculo das exportações líquidas a que se refere este artigo, não serão
consideradas as exportações realizadas sem cobertura cambial.

§ 4º Para as empresas que venham a se instalar no País, para as linhas de produção
novas e completas, onde se verifique acréscimo de capacidade instalada e para as
fábricas novas de empresas já instaladas no País, definidas em regulamento, poderá ser
estabelecido prazo para o atendimento às proporções a que se refere este artigo,
contado a partir da data do primeiro desembaraço aduaneiro dos produtos relacionados nos
inciso II e III do art. 1º.

Art. 3º Para os efeitos dos arts. 2º e 4º, serão computadas nas exportações,
deduzido o valor da comissão paga ou creditada a agente ou a representante no exterior,
as:

I - vendas a empresas comerciais exportadoras, inclusive as constituídas nos termos do
Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, pelo valor da fatura do fabricante à
empresa exportadora; e
II - exportações realizadas por intermédio de subsidiárias integrais.

Art. 4º Poderão ser computadas adicionalmente, como exportações líquidas, nas
condições estabelecidas em regulamento, valores correspondentes:

I - ao valor FOB exportado dos produtos de fabricação própria relacionados nas alíneas
"a" a "h" do § 1º do art. 1º;
II - às máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para
moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como
seus acessórios, sobressalentes, peças de reposição, fabricados no País e
incorporados ao ativo permanente das empresas;
III - ao valor FOB importado de ferramentais para prensagem a frio de chapas metálicas,
novos, bem como seus acessórios, sobressalentes e peças de reposição, incorporados ao
ativo permanente das empresas; e
IV - a investimentos efetivamente realizados em desenvolvimento tecnológico no País, nos
limites fixados em regulamento.

Art. 5º Para os fins do disposto nesta Medida Provisória, serão considerados os valores
em dólares dos Estados Unidos da América, adotando-se para conversão as regras
definidas em regulamento.

Art. 6º As empresas fabricantes dos produtos referidos na alínea "h" do § 1º
do art. 1º, que exportarem os produtos nela relacionados para as controladoras ou
coligadas de empresas montadoras ou fabricantes, instalados no País, dos produtos
relacionados nas alíneas "a" a "g" do § 1º do mesmo artigo,
poderão transferir para estas o valor das exportações líquidas relativo àqueles
produtos, desde que a exportação tenha sido intermediada pela montadora.

Art. 7º O Poder Executivo poderá estabelecer, para as empresas montadoras e fabricantes
dos produtos relacionados nas alíneas "a" a "h" do § 1º do art.
1º, em cuja produção forem utilizados insumos importados, relacionados no inciso II do
mesmo artigo, índice médio de nacionalização anual, decorrente de compromissos
internacionais assumidos pelo Brasil.

§ 1º O índice médio de nacionalização anual será uma proporção entre o valor das
partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e matérias-primas produzidos no
País e a soma do valor destes produtos produzidos no País com o valor FOB das
importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações
realizadas sob o regime de drawback utilizados na produção global das empresas,
em cada ano calendário.

§ 2º Para as empresas que venham a se instalar no País, para as linhas de produção
novas e completas, onde se verifique acréscimo de capacidade instalada e para as
fábricas novas de empresas já instaladas, definidas em regulamento, o índice de que
trata este artigo deverá ser atendido no prazo de até três anos, conforme dispuser o
regulamento, sendo que o primeiro ano será considerado a partir da data de início da
produção dos referidos produtos, até 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual
se utilizará o critério do ano calendário.

Art. 8º O comércio realizado no âmbito do MERCOSUL, dos produtos relacionados no art.
1º, obedecerá às regras especificadas aplicáveis.

Art. 9º O disposto nos artigos anteriores somente se aplica às empresas signatárias de
compromissos especiais de exportação, celebrados nos termos dos Decretos-Leis nº 1.219,
de 15 de maio de 1972 e 2.433, de 19 de maio de 1988, após declarado pelo Ministério da
Indústria, do Comércio e do Turismo, nos termos da legislação pertinente, o
encerramento dos respectivos compromissos.

Art. 10. A autorização de importação e o desembaraço aduaneiro dos produtos referidos
nas alíneas "a" a "c" e "g" do § 1º do art. 1º são
condicionados à apresentação dos seguintes documentos, sem prejuízo das demais
exigências legais e regulamentares:

I - Certificado de Adequação à legislação nacional de trânsito; e
II - Certificado de Adequação às normas ambientais contidas na Lei nº 8.723, de 28 de
outubro de 1993.

§ 1º Os certificados de adequação de que tratam os incisos I e II serão expedidos,
segundo as normas emanadas do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

§ 2º As adequações necessárias à emissão dos certificados serão realizados na
origem.

§ 3º Sem prejuízo da apresentação do certificado de que trata o inciso I, a
adequação de cada veículo à legislação nacional de trânsito será comprovada por
ocasião do registro, emplacamento e licenciamento.

Art. 11. O Poder Executivo estabelecerá os requisitos para habilitação das empresas ao
tratamento a que se referem os artigos anteriores, bem como os mecanismos de controle
necessário à verificação do fiel cumprimento do disposto nesta Lei.

Parágrafo único. O reconhecimento da redução do imposto de importação de que trata o
art. 1º estará condicionado à apresentação da habilitação mencionada no caput
deste artigo.

Art. 12. As pessoas jurídicas, tributadas com base no lucro real, poderão promover
depreciação acelerada, em valor correspondente à depreciação normal e sem prejuízo
desta, do custo de aquisição ou construção de máquinas, equipamentos, aparelhos e
instrumentos, novos, relacionados no Anexo à Medida Provisória nº 1.508-14, de 5 de
fevereiro de 1997, adquiridos entre a data da publicação desta Lei e 31 de dezembro de
1997, utilizados em processo industrial do adquirente.

§ 1º A parcela de depreciação acelerada constituirá exclusão do lucro líquido e
será escriturado no livro de apuração do lucro real.

§ 2º A depreciação acumulada não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem,
convertido em quantidade de UFIR, na forma da legislação pertinente.

§ 3º A partir do mês em que for atingido, o limite de que trata o parágrafo anterior,
a depreciação normal, registrada na escrituração comercial, deverá ser adicionada ao
lucro líquido para determinar o lucro real.

§ 4º As disposições deste artigo aplicam-se aos bens nele referidos, objeto de
contratos de arrendamento mercantil.

Art. 13. A inobservância ao disposto nas proporções, limites e índices a que se
referem os arts. 2º e 7º estará sujeita a multa de:

I - setenta por cento aplicada sobre o valor FOB das importações realizadas nas
condições previstas no inciso I do art. 1º, que contribuir para o descumprimento da
proporção a que se refere o inciso II do art. 2º;

II - setenta por cento aplicada sobre o valor FOB das importações realizadas nas
condições previstas no inciso I do art. 1º, que exceder os limites adicionais a que se
refere o § 1º do art. 2º;

III - sessenta por cento aplicada sobre o valor FOB das importações de matérias-primas
realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 1º, que exceder a proporção a
que se refere o inciso III do art. 2º;

IV - sessenta por cento aplicada sobre o valor FOB das importações de matérias-primas
realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 1º, que exceder os limites
adicionais a que se refere o § 1º do art. 2º;

V - setenta por cento aplicada sobre o valor FOB das importações realizadas nas
condições previstas no inciso II do art. 1º, que concorrer para o descumprimento do
índice a que se refere o caput do art. 7º;

VI - 120% incidente sobre o valor FOB das importações realizadas nas condições
previstas nos incisos II e III do art. 1º, que exceder a proporção a que se refere o
inciso I do art. 2º; e

VII - setenta por cento incidente sobre o valor FOB das importações dos produtos
relacionados no inciso II do art. 1º, realizadas nas condições previstas no mesmo
inciso, que exceder a proporção a que se refere o inciso IV do art. 2º.

Parágrafo único. O produto da arrecadação das multas a que se refere este artigo será
recolhido ao Tesouro Nacional.

Art. 14. O tratamento fiscal previsto nesta Lei:

I - fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da regularidade com o pagamento
de todos os tributos e contribuições federais; e

II - não poderá ser usufruído cumulativamente com outros de mesma natureza.

Art. 15. O Poder Executivo, no prazo de noventa dias, encaminhará ao Congresso Nacional
projeto de lei para os fins do disposto nos arts. 56 e 57 da Lei nº 8.931, de 22 de
setembro de 1994.

Art. 16. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº
1.536-21, de 16 de janeiro de 1997.

Art. 17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Congresso Nacional, em 14 de março de 1997,
176º da Independência e 109º da República.
Senador Geraldo Melo
Primeiro Vice-Presidente do Senado Federal
no exercício da Presidência

Publicada no D.O.U. de 15.03.97; Seção I, pág. 5.197.